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evols| sinfonia visual

white . evols from evols on Vimeo.



um dos mais interessantes álbuns do final de 2010 é o homónimo destes evols (site). banda que estimula com música as dimensões visuais do cérebro. que se veja o poder das imagens do vídeo e das fotos do site deles (todas de um dos membros da banda). que se veja ainda a forma como a música deles sugere paisagens, personagens, acções. veja-se ainda algumas actuações ao vivo. eles são uma sequência de imagens, um filme, uma banda sonora. são uma das grandes revelações da música portuguesa.
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a revolução dos the gift



completamente diferente de tudo o que os the gift têm feito, surgem estas músicas, mais psicadélicas, mais experimentais, mais pop, menos rock fm. depois da imagem relativamente original que escolheram para capa, depois da distribuição "à la radiohead" dão mais um passo interessante ao atribuírem a música a dois actores, acontecimento que já deu notícia lá fora.

voltando à música, ainda não tenho uma opinião muito bem formada. gostei dos coros. gostei de alguns pormenores instrumentais. não sei porquê, mas a potente voz da ... (toda a gente sabe, a mim escapou-me) enerva-me um pouco. para já vale a pena ir ouvindo. esta merece nota positiva, as restantes logo verei.
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sons de vez 2011| dead combo



fundindo todo um conjunto de diversas influências obtemos o magnífico som dos Dead Combo. do lote de influências destacam-se o fado e os blues. tó trips e pedro gonçalves, uma guitarra e um contrabaixo, são suficientes para nos inserir no ambiente sombriamente cinematográfico dos Dead Combo, onde se sentem as ruas de lisboa e de todo o mundo. aclamados internacionalmente, são a voz da meia-noite, da melancolia e da saudade. são o som do bairro alto e de todos os bairros lisboetas.

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sons de vez 2011| long way to alaska


num concerto simpático, calmo, com os devidos picos de energia, os long way to alaska apresentaram as suas belas músicas. com muitas falhas técnicas, que nada tiveram que ver com os bracarenses, evidenciou-se no entanto uma falha da organização da mostra: os long way to alaska por muito bons que sejam têm ainda pouco trabalho, pelo que o concerto acabou por saber a pouco, não durando muito mais que uma hora. teria sido melhor, à semelhança do que se passou o ano passado e no anterior, fazerem um concerto duplo.
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cala-te e come



só num país desmotivado, deprimido, miserável poderiam aparecer as letras de nuno prata. letras de um povo que se conforma, de um povo que desiste, voz de quem se calou e comeu. nas palavras do jornalista de Blitz, creio que Rui Miguel Abreu, mais do que a crítica, a música do ex-ornatos, etiqueta difícil de descolar, é música de "constatação social".

instrumentalmente originais é impressionante ver nuno prata, nico tricot e antónio serginho ao vivo. descontraídos, conseguem dar valor aos difíceis intervalos entre as músicas, transformando duas horas numa experiência única, fazendo a nossa atenção balouçar entre a voz e os instrumentos.

foi sexta. para a semana há long way to alaska.
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sons de vez 2011| nuno prata



dentro de algumas horas sobe ao palco do auditório da casa das artes de arcos de valdevez nuno prata, músico celebre por ter sido baixista dos míticos Ornatos Violeta, que assumiu a solo uma marca muito pessoal. com dois trabalhos a solo: Todos os Dias Fossem Estes (Outros) e Deve Haver de 2010 o cantautor (não sei se a designação é correcta) traz a promessa de um grande espectáculo com músicas brilhantes como Hoje Quem?, Se Acabou, Acabou ou Essa Dor Não Existe. com um registo fortemente acústico as letras assumem uma posição central nos ritmos brilhantemente construídos. não será ainda de espantar alguns ecos da sonoridade dos OV na música daquele que é um dos mais autênticos e melhores artistas a trabalhar a solo da actualidade na ocidental praia lusitana.

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sons de vez 2011| dealema e o hip-hop consciente



dotados de um hip-hop consciente de lirismo admirável, os Dealema estiveram o fim-de-semana passado no sons de vez. o colectivo nortenho veio apresentar o ep do ano passado Arte de Viver. esquecendo um pouco esse trabalho, penso que é importante fazer ênfase aos dois trabalhos anteriores, assim como às influências do seu trabalho que por vezes brotam.

com hip-hop poético, não se limitando a rimar, os dealema apresentaram em 2008 o notável V Império, com o intuito de expandir, não só a sua influência, como também a lingua portuguesa (não tivesse este conceito sido criado pelo padre antónio vieira). nele há ecos de 1984 de orwell, com uma reflexão sobre a violência como ferramenta de submissão de um povo em sala 101,ecos de kafka na metamorfose, neste caso do espírito. juntando a estas referências uma poesia que reflecte sobre a sociedade, sobre o indivíduo, sobre o amor, sobre o ódio, sobre a solidão, concentrando forças na consciência social e no papel da arte no processo de transcendência, torna-se um trabalho de audição fundamental, para quem gosta deste estilo de características tão próprias.

com características semelhantes apresentaram em 2004 o homónimo Dealema, mais poético e mais forte psicológica e artisticamente, na minha opinião.

mais do que boas rimas e instrumentais os dealema apresentam sempre bons conceitos e grandiosas referências culturais, algumas evidentes por serem tema central de álbuns ou de faixas, outras mais discretas (lembro-me por exemplo de uma referência aos cães de Pavlov).

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anda aí um filho da mãe que toca guitarra que se farta!



vindo dos If Lucy Fell, dos I Had Plans e dos recentemente formados Asneira, Rui Carvalho decidiu avançar por uma carreira a solo. com o bonito nome de Filho da Mãe deambula por sonoridades tão diferentes como a guitarra de Carlos Paredes (deambulação menos frequente) e os Blues bem americanos, formando um estilo único, diferente de tudo o resto. com apenas (apenas? tanto!) uma guitarra semi-acústica de cordas de nylon cria magníficos ambientes em que não só a música maravilha, como também a dança dos dedos do Filho da Mãe, visualmente incrível de ver, embriaga o público.

o som deste vídeo não terá grande qualidade, haveria outros com melhor, mas esta é a música que gostaria de destacar, principalmente pela presença das sonoridades coimbrãs do fado e americanas do blues. aconselho a passagem pelo seu myspace.

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sons de vez 2011| linda martini



desde o primeiro momento da sua carreira, os linda martini mereceram respeito e aclamação do público. mereceram um apoio quase incondicional daquela que é uma das maiores bases de fãs (não organizada) da música alternativa e moderna portuguesa da actualidade. com as suas guitarras transportam quem os ouve para um mundo próprio onde se percebe a magia que o baixo e a bateria vão fazendo e todo o poder que emana das suas letras, quando há voz. porque os linda martini não precisam de voz para nos mostrarem alguma da melhor poesia que já se fez em portugal. instrumentalmente perfeitos, liricamente densos, os linda martini são um dos destaques do cartaz deste ano do sons do vez.
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2010 em álbuns - 1. Linda Martini - Casa Ocupada



orgias de guitarras, bateria magistral, baixo poderoso, palavras que nos roubam a alma. é difícil escolher um álbum dos Linda Martini, todos diferentes, todos igualmente perfeitos. este foi para mim o álbum de 2010.

para além de um universo doloroso, intenso e poético comum a todas as músicas, há algumas que se destacam, por apresentarem uma maior intensidade e densidade psicológica. em Nós os Outros sente-se o desespero de uma relação que nunca funcionou, na Mulher-a-Dias vê-se a sujidade e o caos da alma desarrumada, a toda-poderosa bateria de Hélio Morais atinge o céu para nos dar uma reflexão sobre a partida em Elevador, há espaço para o devaneio juvenil de Juventude Sónica, o baixo perfeito e a crítica ao mau perder como incentivo à acção em Belarmino VS. tudo isto num álbum que reflecte o início dos Linda Martini, o regresso a um universo que é deles, um álbum que após as primeiras audições exorciza qualquer coisa.





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2010 em álbuns - 3. Mão Morta - Pesadelo em Peluche



a partir de A Feira de Atrocidades de J.G. Ballard os Mão Morta construíram este álbum conceptual. "como se a vida se transmutasse num perturbante pesadelo de desconcerto numa mente entorpecida pelo peluche do conforto" diz Adolfo Luxúria Canibal. então, ao longo do álbum vão-nos sendo apresentadas bizarrias diversas bem acondicionadas pelo instrumental. "mais vale nascer e morrer, do que não nascer e não morrer" ouve-se em Fingir de Morto: é assim que se retira valor à morte, encarando-a com realidade. no fundo é isto que os Mão Morta vão fazendo.

numa abordagem mais sombria, O Seio de Esquerdo de R.P. apresenta-nos a bizarria das imagens de alguns grafitos e o processo cerebral que lhe é referente, Tiago Capitão conta-nos a história de um criminoso que se escondeu na sociedade tentando apagar a identidade, Biblioteca Espectral volta ao nosso cérebro para nos explica-nos a memória e Metalcarne, num registo que passa pelo electrónico para ilustrar fetiches.

de um ponto de vista mais bem disposto e, aparentemente irónico, a fim de provocar o contraste entre as duas dimensões do registo, são-nos apresentados a já referida Fingir de Morto, Teoria da Conspiração, que dá apoio às teorias da conspiração , o funk-rock de Estância Balnear e o single Novelos de Paixão. esta última, com uma letra básica, muito abaixo do habitual de Canibal, é a ganha-pão do álbum.

um pouco à parte aparece Tardes de Inverno que, nem sombria nem alegremente, nos dá com toda a força. um instrumental imediato, poderoso e duradouro (agora e para sempre), uma letra muito bem articulada apresentado com a melhor voz do Adolfo a tocar o desespero " demência sem jeito/num rumo desfeito".

não é com certeza o melhor álbum dos bracarenses, mas é um álbum em que por várias vezes atingem o nível da genialidade, como é o caso das duas músicas seguintes.



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2011



Fleet Foxes

2010 está quase a acabar. para 2011 espera-se por:

- Sean Riley and Slowriders que já entraram em estúdio para gravar o 3º álbum, depois de um Only Time Will Tell que trouxe uma evolução considerável em relação ao primeiro.

- Psicotic Jazz Hall de Kubik, 6 anos depois de Metamorfose que foi considerado um dos melhores álbuns portugueses desse ano por diversas publicações. este novo álbum promete uma abordagem mais próxima do Jazz, que, a seguir pelo primeiro tema já disponibilizado, Shina-Kak, será um dos álbuns obrigatórios de 2011.



- Devotchka lançam a 15 de Fevereiro 100 Lovers

- Fleet Foxes preparam o segundo álbum. depois do prometido no álbum homónimo de 2008, este será, em princípio, o grande disco do ano. ainda não há um título para o álbum e nomes como Slaughternalia e Deepwater Horizon têm sido considerados.

resta-me desejar a todos os visitantes deste blog um espantoso 2011

ao longo desta semana farei também uma retrospecção sobre o ano que passou, breve como tirar um ticket.
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Quarteto 1111 - Onde Como Quando Porquê Cantamos Pessoas Vivas (unrealesed post)



pensemos em liberdade. pensemos em criatividade. agora juntemos as duas coisas e criamos aquilo que deu origem a uma das mais incríveis e complexas fatias da música de todos os tempos: o experimentalismo, as obras-ensaio, o psicadélico, alguma música clássica, jazz, etc. esta obra representa isso tudo. a maior e mais bela representação do progressivo nacional. são cerca de 30 minutos de riqueza musical. uma só música, um só álbum, com diversos universos dentro. diversas "pessoas vivas". momentos calmos, como é o inicial, momentos de revolta, momentos eufóricos... destaco os teclados, a guitarra, a bateria, o baixo, a voz. destaco José Cid que compôs esta obra enorme, que ainda não se despia para revistas nem escrevia músicas sobre macacos e bananas.
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"a verdade é que a saudade do que passou não é mais que muita"



foi dos Da Weasel o primeiro álbum que comprei com aquilo a que vou chamar consciência. não seria com certeza consciência comprar um álbum porque um single nos chama a atenção, mas bastou uma semana para que esse mesmo single fosse a única música do álbum Re-Definições que eu não ouvia. foi a partir deste álbum que comecei a visitar o hip-hop. foi também o responsável por, anos mais tarde, começar a ouvir rock e música alternativa, quando ouvi falar de um tal Manel Cruz, que tinha feito uma das mais perfeitas músicas que já ouvira. é por isso com alguma tristeza que vejo o seu fim.

na altura não percebi, mas esse álbum foi o auge dos Da-Weasel, não só do ponto de vista comercial, como do ponto de vista artístico. para além da enorme qualidade da maior parte das músicas e das letras (enuncio assim à pressa a Força, a Casa, o Carrossel, e vários instrumentais), existe ainda uma forte linha conceptual: a história de alguém que cai no mundo das drogas, saindo graças à filha que tivera recentemente, redefinindo-se. já na altura percebi esta linha, sem no entanto saber se é baseada na vida de um dos membros ou puramente fictícia. o conceito não é muito rebuscado, mas é explorado com mestria, apesar da cedência ao comercial na busca do single "re-tratamento".

agora "tou nem aí". nunca deles ouvi mais do que algumas músicas e este álbum, mas a importância que esta pequena selecção teve foi muita. para não falar na importância que os Da Weasel tiveram na cena nacional. no entanto, se depois de re-definições apareceu um novo álbum com uma abordagem diferente, ainda que a contar com algumas músicas essenciais (as colaborações com a orquestra checa são soberbas), depois deste os membros têm trabalho em projectos separados, que, a meu ver, têm qualidade muito duvidosa, pelo que esta notícia já era algo previsível. menos previsível seria que dos três projectos que deste derivaram, o menos conhecido seja o da face mais visível desta banda: Os Dias de Raiva de Pac, relativamente aos Teratron dos baixista e guitarrista e a Nu Soul Family que conta com a voz de Virgul.

nenhum destes grupos tem o som único dos Da Weasel, muito menos as letras por vezes magistrais cantadas por Pac, o famoso homem das rastas.

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A ouvir #54

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MIinnemann Blues Band live@ Feira do Livro de Arcos de Valdevez



Distinções devem ser feitas entre as feiras do livro em vilas e em cidades. Nós por cá temos muita coisa. Mas no que toca a feiras do livro, o interesse limita-se a "4 ou 5" livros e 1 ou 2 raridades. Não é no entanto sobre isso que vou falar. Vou apenas alongar-me sobre uma das bandas que participou nesta iniciativa.

Wolfram Minnemann é, ao que parece, o mentor desta banda. Uma banda matura em idade e aparentemente em experiência. O estilo que praticam não está na minha área de especialidade, até porque não tenho uma, mas se tivesse, não seriam com certeza os Blues. Como tal não tenho termos de comparação.

De qualquer das formas, é de salientar, para além da enorme presença em palco, apesar de este ser quase minúsculo, a grande voz e teclados claro de Minnemann, à primeira audição próxima da voz de Louis Armstrong, o magnífico saxofone de Rui Azul, a magnífica guitarra de Mãos de Ferro, a potente bateria de Rui Cenoura, e o baixo discreto, mas não menos espectacular, de Manuzé, sempre acompanhados com uma enorme dose de boa disposição e de um bem doseado sentido de humor.

Nestas condições não poderia acontecer outra coisa que não a elevada adesão do público, praticamente inexistente noutros dias. Minnemann Blues Band (tem ligação), uma banda a ter em conta. Pelo menos, e principalmente, para quem não tem outras referências dentro deste universo.

Lançaram álbum há pouco tempo e estarão nos próximos tempos no Porto, em Faro, Caminho, Moledo e Matosinhos.
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A ouvir #47

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A ouvir #46

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A ouvir #44 (especial 1º Aniversário)

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A ouvir #34



muita gente não gostou desta nova música dos mão morta. é mais pop sem dúvida. eu acho-a completamente viciante, algo cómica até ridícula, mais pelas letras, mas no bom sentido. não será a melhor deles, talvez nem esteja ao seu nível, mas não deixa de ser uma excelente música!
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