E começa a chegar o Outono. Já me tinha esquecido o quanto a vila é bonita nesta altura... Até tenho pena de não poder partilhar convosco as imagens. Algumas folhas no chão, um ar mais fresco que nos liberta dos excessos de temperatura, as águas calmas e límpidas do rio, depois de momentos difíceis durante o Verão. Não há outra altura do ano como esta cá na vila. E mais que o que nos rodeia, é o que nos abraça por dentro. Tantas recordações, o Outono tem esse poder... Parece que cada folha que cai é na verdade um pedaço de alma que nos fugiu, e que nós vemos como se não nos pertencesse. E se calhar não pertence!
Gosto especialmente daquela chuva que bate na areia quente, e daquele cheirinho. Aí sinto todos os momentos da minha existência voltarem a mim, enfiando-se pelo meu nariz a dentro. E apanhar com a chuva para ficarmos mais pesados, mais presos à vida? Vem sempre uma lágrima ao olho... Sentimos o nosso passado sem pensarmos nele, o que é belíssimo... Não é um momento feliz, não é um momento triste, é um momento especial, importante, diferente. É um momento em que me assumo tal como sou, deixo de ficar satisfeito ou insatisfeito com a vida, com a vida. A tristeza vai, a alegria vai. Só ficamos nós, o nosso passado, a chuva que cai sobre nós e a chuva que de nós cai. Somos. Nada.
READ MORE » Chuva de Outono
Gosto especialmente daquela chuva que bate na areia quente, e daquele cheirinho. Aí sinto todos os momentos da minha existência voltarem a mim, enfiando-se pelo meu nariz a dentro. E apanhar com a chuva para ficarmos mais pesados, mais presos à vida? Vem sempre uma lágrima ao olho... Sentimos o nosso passado sem pensarmos nele, o que é belíssimo... Não é um momento feliz, não é um momento triste, é um momento especial, importante, diferente. É um momento em que me assumo tal como sou, deixo de ficar satisfeito ou insatisfeito com a vida, com a vida. A tristeza vai, a alegria vai. Só ficamos nós, o nosso passado, a chuva que cai sobre nós e a chuva que de nós cai. Somos. Nada.
"that conduct our minds to paradise"
Pergunto-me quem terá sido o responsável pelo divórcio do Homem com a Natureza? Quem terá sido esse homem, instituição ou conjunto de homens, que separou o Homem da Natureza, e da sua beleza? Refiro-me ao homem ou homens, responsáveis pela criação das cidades tal como estão concebidas. Não me refiro a todas, porque há certamente aquelas em que a civilização e a restante vida permanecem de mãos dadas. Refiro-me em especial a essas grandes cidades dos arranha-céus que mancham a vista.