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Alejandro González Iñárritu| Biutiful
cru.brutal. duro. perturbante. belíssimo. Biutiful é um filme lindíssimo na mais miserável dimensão da palavra, uma negríssima visão da vida e da morte. a performance de Javier Bardem é avassaladora, merecedora de um óscar. e depois, depois há as imagens e a música, e os ruídos e os diálogos, e as traças e o anel, e a sujidade e a podridão, brilhantemente coordenados por Iñarritu e direccionados para salas de cinema à antiga: só aí a experiência pode ser vivida ao máximo.
Biutiful é cinema, é um exercício dos sentidos. mais do que uma história transmite-nos sentimentos. olhando para os candidatos a óscar de melhor filme, não lhes fica nada atrás, aliás...
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Biutiful é cinema, é um exercício dos sentidos. mais do que uma história transmite-nos sentimentos. olhando para os candidatos a óscar de melhor filme, não lhes fica nada atrás, aliás...
milos forman| um voo sobre um ninho de cucos
McMurphy: What do you think you are, for Chrissake, crazy or somethin'? Well you're not! You're not! You're no crazier than the average asshole out walkin' around on the streets and that's it.
mais do que um filme sobre loucura, um filme sobre sanidade e liberdade.
Chief Bromden: My pop was real big. He did like he pleased. That's why everybody worked on him. The last time I seen my father, he was blind and diseased from drinking. And every time he put the bottle to his mouth, he don't suck out of it, it sucks out of him until he shrunk so wrinkled and yellow even the dogs didn't know him.
McMurphy: Killed him, huh?
Chief Bromden: I'm not saying they killed him. They just worked on him. The way they're working on you.
McMurphy: Killed him, huh?
Chief Bromden: I'm not saying they killed him. They just worked on him. The way they're working on you.
sam mendes| um belo filme americano|1999
com interpretações brilhantes de Kevin Spacey, Chris Cooper e Wes Bentley a direcção mágica de Sam Mendes transforma o belíssimo guião de Alan Ball numa experiência única. um filme sobre falsa moralidade, sobre desejo, sobre o peso do quotidiano e a destruição da identidade, sobre liberdade, mas sobretudo sobre a beleza de tudo, desde a vida em geral a um saco de papel que em dias de tempestade se mantém aéreo por muito tempo. um belíssimo filme.
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Charlie Kaufman e Michel Gondry| A Natureza Humana| 2001
mais um filme nascido da pena de Charlie Kaufman. mais um filme genial. a realização de Michel Gondry assenta-lhe que nem uma luva (especialmente aqueles aparentes defeitos) num filme que retrata de uma forma espantosa a natureza humana. como em qualquer filme de Kaufman por trás de uma ideia invulgar (ainda que neste caso não tão original como noutros filmes) surgem diálogos, relacionamentos e contactos humanos que transformam uma comédia bem disposta num filme perturbante em que os lados mais fracos do homem, o desejo à adaptação, a indecisão, a traição são postos em exposição. tudo isto a partir de uma mulher com muito pêlo, um cientista comportamental e um selvagem educado pelo pai para ser um macaco. um filme obrigatório para quem gosta de psicologia.
Nathan Bronfman: Remember, when in doubt, don't ever do what you really want to do.
Lila Jute: That's the key.
Nathan Bronfman: What is love anyway? From my new vantage point, I realize that love is nothing more than a messy conglomeration of need, desperation, fear of death and insecurity about penis size.
Nathan Bronfman: Remember, when in doubt, don't ever do what you really want to do.
Lila Jute: That's the key.
Nathan Bronfman: What is love anyway? From my new vantage point, I realize that love is nothing more than a messy conglomeration of need, desperation, fear of death and insecurity about penis size.
jean-luc godard| a sociedade tecnocrata

Alphaville de Jean-Luc Godard retrata uma sociedade tecnocrata, uma sociedade lógica, à qual chega um agente secreto dos "países exteriores" cuja missão principal é destruir esta sociedade robótica. esquecendo toda a qualidade do filme, a imagem e música perturbantes, a beleza e o charme de Anna Karina, vale a pena pensar na nossa sociedade.
olhemos para os nossos governantes. olhemos para a actualidade. olhemos para toda a burocracia e todo o afastamento humano que permitiu que uma mulher estivesse morta em casa durante 9 anos, caso que, infelizmente, não é único. existe uma crescente automatização da sociedade. tudo é automático. tudo são números e probabilidades. engenheiros, economistas e advogados preenchem grande parte dos lugares da assembleia. poucos são os sociólogos e os que estudam os homens, as pessoas. porque controlar números é fácil. as pessoas são bem mais abstractas.
nessa perspectiva, este Alphaville devia ser obrigatório para todos os governantes.
olhemos para os nossos governantes. olhemos para a actualidade. olhemos para toda a burocracia e todo o afastamento humano que permitiu que uma mulher estivesse morta em casa durante 9 anos, caso que, infelizmente, não é único. existe uma crescente automatização da sociedade. tudo é automático. tudo são números e probabilidades. engenheiros, economistas e advogados preenchem grande parte dos lugares da assembleia. poucos são os sociólogos e os que estudam os homens, as pessoas. porque controlar números é fácil. as pessoas são bem mais abstractas.
nessa perspectiva, este Alphaville devia ser obrigatório para todos os governantes.
Joel and Ethan Cohen| Um Homem Sério
os irmãos Cohen têm, nos últimos anos, feito, de forma regular, alguns dos melhores filmes da actualidade. com um duro No Country For Old Men em 2007, um confuso e esquizofrenicamente divertido Burn After Reading em 2008, um existencial A Serious Man em 2009 e o último True Grit, que ainda não vi, em 2010, conseguem aquilo que Woody Allen, por exemplo, não consegue: lançar um filme por ano com uma qualidade elevadíssima e a um nível tal de perfeição, que só mesmo duas pessoas o conseguiriam fazer, em prazos tão apertados (note-se que Woody Allen desde de 77 que lança um filme por ano, enquanto que os Cohen só entraram neste ritmo muito mais recentemente).
em A Serious Man os Cohen contam a história de um professor universitário que vê o seu casamento, o seu emprego, a sua condição moral, assim como a financeira, e a liberdade do seu irmão em risco, ao mesmo tempo. é neste momento que Larry Gopnik (magistralmente interpretado por Michael Stuhlbarg) entra em desespero com o ritmo alucinante com que todos os problemas surgem e crescem, procurando respostas na religião judia, a qual sempre fez por respeitar. um filme sobre fé e esperança, que acaba de uma forma absolutamente inesperada. atingindo várias vezes um registo cómico com a indiferença e incompreensão que as pessoas têm para com Larry é um filme negro, muito negro.
as interpretações são brilhantes, a música deambulando sobretudo entre o mais conhecido tema dos Jefferson Airplane e uma composição de Carter Burwell é perfeita e a imagem maravilhosa. a realização é perfeita assim como o filme é irrepreensível.
"The Uncertainty Principle. It proves we can't ever really know... what's going on. So it shouldn't bother you. Not being able to figure anything out. Although you will be responsible for this on the mid-term."
Woody Allen| longe de todos
paranóico, com personalidade única, vai-se afastando do mundo. é assim Alvie Singer, o protagonista de Annie Hall representado pelo próprio Woody Allen, que aparte toda esta animosidade para com o mundo e a incapacidade de se relacionar profundamente com mulheres está profundamente apaixonado por Annie Hall.
Annie Hall é um interessante exercício de abstracção da realidade em que, tal como noutros filmes de Allen, a câmara não tem medo de se fazer notar, servindo de registo da mente de Alvie e, consequentemente, de Woody Allen.
este filme de 1977 é também um ensaio sobre a inevitabilidade da morte que aprofundou já em 2009 com Whatever Works (no fundo Boris, tal como Alvie, é um pseudónimo de Woody Allen, abordando por isso temas muito semelhantes).
"´There's an old joke - um... two elderly women are at a Catskill mountain resort, and one of 'em says, "Boy, the food at this place is really terrible." The other one says, "Yeah, I know; and such small portions." Well, that's essentially how I feel about life - full of loneliness, and misery, and suffering, and unhappiness, and it's all over much too quickly. The... the other important joke, for me, is one that's usually attributed to Groucho Marx; but, I think it appears originally in Freud's "Wit and Its Relation to the Unconscious," and it goes like this - I'm paraphrasing - um, "I would never want to belong to any club that would have someone like me for a member." That's the key joke of my adult life, in terms of my relationships with women."
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Annie Hall é um interessante exercício de abstracção da realidade em que, tal como noutros filmes de Allen, a câmara não tem medo de se fazer notar, servindo de registo da mente de Alvie e, consequentemente, de Woody Allen.
este filme de 1977 é também um ensaio sobre a inevitabilidade da morte que aprofundou já em 2009 com Whatever Works (no fundo Boris, tal como Alvie, é um pseudónimo de Woody Allen, abordando por isso temas muito semelhantes).
"´There's an old joke - um... two elderly women are at a Catskill mountain resort, and one of 'em says, "Boy, the food at this place is really terrible." The other one says, "Yeah, I know; and such small portions." Well, that's essentially how I feel about life - full of loneliness, and misery, and suffering, and unhappiness, and it's all over much too quickly. The... the other important joke, for me, is one that's usually attributed to Groucho Marx; but, I think it appears originally in Freud's "Wit and Its Relation to the Unconscious," and it goes like this - I'm paraphrasing - um, "I would never want to belong to any club that would have someone like me for a member." That's the key joke of my adult life, in terms of my relationships with women."
David Fincher| The Social Network
A Rede Social não é um filme de reflexão, é antes um filme de entretenimento que sai da memória com facilidade. mas é um filme de entretenimento notavelmente bem construído que não deixa o espectador perder a atenção, engolindo-o na música magistralmente composta por Trent Reznor e na realização intensamente cerebral de David Fincher que transforma uma simples história de negócios, traições e intrigas numa elaborada experiência das mais fortes emoções humanas. com boas interpretações (destacando-se a excelente do protagonista Jesse Eisenberg), o filme termina com Baby I'm A Rich Man dos Beatles, uma escolha perfeita. menos essencial que outros filmes de David Fincher, este é um filme que vale a pena ver.
PS:. as parecenças deste filme com o filme 21 são óbvias. descobri agora mesmo que ambos são adaptados de livros de Ben Mezrich,tendo produção da empresa de Kevin Spacey.
a inevitabilidade da morte: o desespero
a inevitabilidade da morte é, por si só, um tema inesgotável. em 1957, no mesmo ano de Morangos Silvestres, Ingmar Bergman pegou no texto bíblico e nos sete selos (sendo o sétimo a morte) e numa época manchada pela peste negra, para criar um texto notável. também a inexistência de deus aparece nesta obra em que a luta contra a morte está brilhantemente metaforizada num jogo de xadrez, em que o resultado, desde o início parece estar definido.
2010 em resumo: filmes, álbuns, livro
Melhores filmes de 2010
a maior parte dos filmes são de 2009, mas estreados em Portugal em 2010.
por ordem mais ou menos aleatória.
não vi muitos filmes que gostava de ter visto. vi a Origem.

Mr.Nobody - Jaco Van Dormael

The Imaginarium of Doctor Parnassus - Terry Gilliam
Whatever Works - Woody Allen
The Man Who Stare At Goat - Grant Heslov
Das Weisse Band - Michael Haneke
Filme do Desassossego - João Botelho
2- Broken Water - Whet
3- Mão Morta - Pesadelo em Peluche
4- MGMT - Congratulations
5- Crippled Black Phoenix - I, Vigilante
6- Gorillaz - Plastic Beach
7- Joanna Newsom - Have One On Me
8- Big Blood - Dark Country Blues
9- Tungs - Sleeping
10- The Coral - Butterflie House

valter hugo mãe - máquina de fazer espanhóis
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a maior parte dos filmes são de 2009, mas estreados em Portugal em 2010.
por ordem mais ou menos aleatória.
não vi muitos filmes que gostava de ter visto. vi a Origem.
Mr.Nobody - Jaco Van Dormael

The Imaginarium of Doctor Parnassus - Terry Gilliam
Whatever Works - Woody Allen
The Man Who Stare At Goat - Grant Heslov
Das Weisse Band - Michael Haneke
Filme do Desassossego - João Botelho
Melhores álbuns de 2010
1- Linda Martini - Casa Ocupada2- Broken Water - Whet
3- Mão Morta - Pesadelo em Peluche
4- MGMT - Congratulations
5- Crippled Black Phoenix - I, Vigilante
6- Gorillaz - Plastic Beach
7- Joanna Newsom - Have One On Me
8- Big Blood - Dark Country Blues
9- Tungs - Sleeping
10- The Coral - Butterflie House
O Livro de 2010
que não se pense que não li mais que um livro em 2010, mas apenas 1 foi editado em 2010.
valter hugo mãe - máquina de fazer espanhóis
Mr.Nobody - Jaco Van Dormael
inicialmente, o título deste filme chamou-me a atenção.
depois, o nome de Jared Leto roubou-me a vontade.
por fim, o trailer obrigou-me a ver o filme. e ainda bem que vi o trailer!
depois, o nome de Jared Leto roubou-me a vontade.
por fim, o trailer obrigou-me a ver o filme. e ainda bem que vi o trailer!
constitui as memórias de um velho (o último mortal) que se confundem. um filme sobre escolhas e sobre um homem que viveu todas as vidas que poderia ter vivido, porque qualquer uma delas era a vida certa... tudo com base na escolha impossível de um dos pais para uma criança. poético, confuso, apresenta ainda algumas teorias científicas interessantes, abordadas de uma forma poética. foi uma agradável surpresa.
Nemo Nobody velho: Before he was unable to make a choice because he didn't know what would happen. Now that he knows what will happen, he is unable to make a choice.
nunca percebi se nesta cena ele estava a ser sarcástico ou se é mesmo uma estratégia para lavar as mãos. de qualquer das formas, aposto na primeira hipótese.
Das Weisse Band - Michael Haneke
um paciente conto que mexe com moralidade, autoritarismo, repressão e a reacção. com brilhantes reflexões sobre a morte e a existência (o clip abaixo é, talvez o mais conhecido do filme) e com uma narrativa fluente e penetrante, O Laço Branco torna-se um filme obrigatório, obviamente para quem respeite o género. (é difícil falar sobre o filme).
Synecdoche, New York - Charlie Kaufman
na sua estreia como realizador Kaufman apresenta o seu mais esquizofrénico guião, com jogos de identidade, obsessões, morte e medo dela. no fundo, os ingredientes são sempre os mesmos, mas a forma como os utiliza é sempre nova e genial. neste filme, Caden (interpretado pelo brilhante Philip Seymour-Hofmann) é um encenador de teatro e hipocondríaco que ao mesmo tempo que é abandonado pela mulher recebe um prémio que o faz decidir criar uma peça de teatro gigantesca, a fim de ser recordado após a morte. num armazém, decide construir uma réplica de nova iorque (que conta com o próprio armazém) arranjando personagens que fizessem dele e dos seus conhecidos. o projecto arrasta-se por décadas.
é um filme complexo. um dos filmes mais complexos que já vi, talvez a par de Dr. Parnassus de Terry Gilliam, (Inception é brincadeira de crianças ao lado deste), onde o tempo quase não existe, a vida de Caden mistura-se com a peça e os actores se confundem com as pessoas que lhes deram origem. é um filme fora de série, provavelmente o mais genial que já vi, motivo pelo qual nem sei o que pensar.
Adaptation
nem de propósito: ontem, na rtp2, começou a exibição de Adaptation, realizado por Spike Jonze, escrito por Charlie Kaufman e Donald Kaufman a partir de um livro de Susan Orlean. o filme parte da filmagem do filme Being John Malkovich para conhecermos a situação de Charlie Kaufman: um argumentista que, num difícil período da sua vida, desesperado por culpa da sua falta de capacidade para se sociabilizar, aceita trabalhar num guião a partir de um livro sobre orquídeas e seus ladrões de Susan Orlean. entra em desespero por não conseguir escrevê-lo, enquanto o seu irmão gémeo, Donald, decide dedicar-se também ele a escrever guiões, tendo bastante sucesso. a certa altura, Charlie pede-lhe ajuda, e ambos investigam o que está por trás de toda aquela paixão por orquídeas de Susan. é esse percurso que Charlie decide escrever.
é um filme sobre a adaptação de Charlie Kaufman, um misto de realidade e ficção, com as orquídeas no centro da acção. de realçar o facto de Donald Kaufman, o gémeo ficcional de Charlie, ter sido incluído nos créditos e ter sido, juntamente com o irmão, nomeado para um óscar.
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é um filme sobre a adaptação de Charlie Kaufman, um misto de realidade e ficção, com as orquídeas no centro da acção. de realçar o facto de Donald Kaufman, o gémeo ficcional de Charlie, ter sido incluído nos créditos e ter sido, juntamente com o irmão, nomeado para um óscar.
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o fabuloso filme O Fabuloso Destino de Amelie Poulain
com uma brilhante realização, Le Fabuleux Destin d'Amelie Poulain é um obrigatório conto sobre solidão, justiça, diferença, imaginação e medo. por entre este emaranhado de realidade aperfeiçoada e adaptada ao íntimo de Amelie, de efeitos artísticos absolutamente avassaladores, destaca-se ainda um som: a música de Yann Tiersen que povoa com algo mais a obra-prima de Jean-Pierre Jeunet.
estamos a morrer
Boris: I'm dying! I-I'm dying!
Jessica: Should I call an ambulance?
Boris: No, not now! No, not tonight, I mean eventually!
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Jessica: Should I call an ambulance?
Boris: No, not now! No, not tonight, I mean eventually!
Whatever Works de Woody Allen
estamos a morrer. é uma realidade difícil de compreender.
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