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Charlie Kaufman e Michel Gondry| A Natureza Humana| 2001


mais um filme nascido da pena de Charlie Kaufman. mais um filme genial. a realização de Michel Gondry assenta-lhe que nem uma luva (especialmente aqueles aparentes defeitos) num filme que retrata de uma forma espantosa a natureza humana. como em qualquer filme de Kaufman por trás de uma ideia invulgar (ainda que neste caso não tão original como noutros filmes) surgem diálogos, relacionamentos e contactos humanos que transformam uma comédia bem disposta num filme perturbante em que os lados mais fracos do homem, o desejo à adaptação, a indecisão, a traição são postos em exposição. tudo isto a partir de uma mulher com muito pêlo, um cientista comportamental e um selvagem educado pelo pai para ser um macaco. um filme obrigatório para quem gosta de psicologia.

Nathan Bronfman: Remember, when in doubt, don't ever do what you really want to do.
Lila Jute: That's the key.

Nathan Bronfman: What is love anyway? From my new vantage point, I realize that love is nothing more than a messy conglomeration of need, desperation, fear of death and insecurity about penis size.

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Evolução




A Evolução estará eternamente presente em tudo. Também o Homem evoluiu, evolui e evoluirá. O Homem é um animal, e está por isso sujeito às mesmas leis que outro qualquer. Segundo Lamarck cada espécimen sofria alterações individuais de acordo com as suas necessidades, passando esses caracteres à sua descendência. Segundo ele, as espécies evoluíam no sentido da perfeição. Darwin, mais aceite que Lamarck, sugeriu que dentro de uma população de indivíduos da mesma espécie, todos tinham características diferentes, e por isso, só os melhor adaptados sobreviveriam, passando essas características à descendência. Darwin também fala algures da evolução como estrada para a perfeição.

Tal como o Homem, também a Sociedade evoluiu, evolui e evoluirá. Creio, no entanto, que a evolução a que esta está sujeita não tende para a perfeição, por isso das duas uma: ou a sociedade não se rege pelas mesmas leis que os animais, ou estas contém erros, e toda a evolução é muito mais aleatória do que parece ser. Não digo com isto que a evolução da sociedade é aleatória, porque a palavra não descreverá na perfeição aquilo que pretendo demonstrar... A sociedade está talvez com menos defeitos que há uns anos valentes atrás, mas está muito mais imperfeita como todo que é. Note-se que não falo de política, nem de causas maiores, mas de coisas ditas "menores" que enchem todos os dias e que com certeza têm uma influência enorme nas causas maiores.

"Vejam o que nos está a acontecer - esta especialização. A despersonalização está a tirar todo o significado humano à nossa vida quotidiana. Um homem costumava orgulhar-se da forma como conduzia. Agora um carro guia-se sozinho. Uma mãe costumava orgulhar-se dos seus bolos. Agora eles fazem-se sozinhos. Um rapaz costumava orgulhar-se das coisas que inventava para brincar. Agora está soterrado em brinquedos feitos em fábricas. É triste , não é?" dizia Tati (Post em O Homem Que Sabia Demasiado)

Só o facto de estar aqui a escrever já passa muito dessa imperfeição: a virtualização desta mensagem e a consequente banalização. Parece-me que as coisas começam a perder magia, valor. Parece-me que toda a evolução que a Sociedade sofreu nos deixou num sítio mais pobre, e sem graça: mais fácil de viver.
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O Divórcio do Homem



Pergunto-me quem terá sido o responsável pelo divórcio do Homem com a Natureza? Quem terá sido esse homem, instituição ou conjunto de homens, que separou o Homem da Natureza, e da sua beleza? Refiro-me ao homem ou homens, responsáveis pela criação das cidades tal como estão concebidas. Não me refiro a todas, porque há certamente aquelas em que a civilização e a restante vida permanecem de mãos dadas. Refiro-me em especial a essas grandes cidades dos arranha-céus que mancham a vista.
Tenho medo que todas essas vilas, como é a minha, ou mesmo cidades em que se pode viver em harmonia com a Natureza e com os benefícios da civilização desapareçam com o passar dos anos. Tenho medo que esses espaços totalmente desprovidos do Homem desapareçam, e que o ser humano domine e maltrate de uma forma ainda mais não natural todo o planeta. Tenho medo que o mundo se perca, assim como os seus refúgios.



Por vezes penso que o ser humano está em guerra com o próprio planeta, e que se quer afirmar superior à própria vida. Que é um ser invejoso, bem sei, mas por vezes parece-me que não é só isso! O ser humano acha-se superior a qualquer outra forma de vida. Acha-se mais importante e no direito de fazer as escolhas que muito bem entender sobre os restantes animais. A política de escravização de animais que existe é horrível! Não que eu seja contra as pessoas terem animais de estimação, mas simplesmente acho que estes não podem ser comprados, como se fossem um qualquer bicho desprovido de alma, numa montra.
A minha avó tem uma gata (mais três gatinhos) e um cão, isto fora os animais destinados à alimentação. Confesso que o cão está acorrentado, e que foi comprado, e que muito provavelmente se o soltassem ele fugiria, mas a gata está lá por vontade própria. Apareceu por lá uma vez e deixou-se ficar. Custa-me também um pouco que tratemos os animais para alimentação tal como os tratamos, mas aí já se trata de uma outra questão, uma questão de sobrevivência, e não de comodidade.


Não tenciono com isto que abandonemos os nossos cães. Gostava apenas que as nossas mentalidades mudassem um pouco. Os cães não sobreviveriam sem o ser humano, mas não é por isso que nos devemos achar seus donos.

Comecei por dizer que o ser humano é um ser egoísta, egocêntrico e vaidoso, e penso que, com este exemplo consegui prová-lo. Não tem a ver com o que o ser humano faz (neste caso) mas sim, da forma como o faz. Vender um animal como se fosse um brinquedo ou um objecto, expositando-o numa montra, é algo que a mim me faz imensa confusão.
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